Como funcionam os outros métodos para deixar de fumar: antidepressivos (Champix/Chantix) contra o prazer de fumar, a injeção antifumo (injeção Cubana), Snus, Imãs etc.?
- Piteiras e filtros (Phasis): simplesmente limita a inalação (entrada no pulmão) do alcatrão do cigarro, não evitando a entrada da nicotina, que é a substância causadora da depêndencia. Ou seja, o fumante continua dependente do cigarro.
- Bochechos à base de "nitrato de prata": alteram o gosto do cigarro, porém são consideradas substâncias cancerígenas. Outros produtos provenientes de substâncias naturais (Fumenol, Nicotinol) pretendem tornar desagradável o gosto da fumaça do cigarro durante sua inalação.
- Plano de 5 dias: terapia de grupo, com aconselhamento por psicoterapeutas, nutricionistas, sociólogos e médicos: método demorado, de pouca eficácia na maioria dos casos.
- Hipnose dinâmica: apenas para pacientes susceptíveis à hipnose.
- Cigarros de baixos teores ou gadgets (cortam um pedaço do cigarro ou fazem micro-furos para aumentar a entrada de ar): diminuem a entrada de nicotina e alcatrão, porém o paciente acaba fumando um número maior de cigarros por dia.
No caso dos baixos teores, a inalação de folígenos e outras substâncias nocivas presente na fumaça do cigarro, acaba sendo em quantidade maior, devido ao maior número de cigarros fumados.
- Outros métodos auxiliares (alarme que soa após um período de tempo limite entre dois cigarros ou técnicas de autosugestão): exige alta dose de disciplina e força de vontade do paciente, o que em muitos casos não é suficiente.
- Acupuntura tradicional através de repetidas aplicações semanais de agulhas, durante 4 a 6 semanas: sucessivos retornos ao consultório desmotivam o paciente durante o tratamento, com alto índice de desistência.
- Raio laser ou infravermelho (introduzido no Brasil pelo Instituto Marat em 1983): resultados limitados, necessitando frequentemente de aplicações de reforços.
- Reposicão de nicotina: Gomas de mascar (chicletes), pastilhas, comprimidos sublinguais, cigarro eletrônico, ou spray nasal contendo nicotina (absorvida pelas mucosas oral, estomacal e intestinal): eliminam a inalação do alcatrão, mas o fumante continua dependente da nicotina, além dos possíveis efeitos tóxicos. A reposição de nicotina é uma forma de continuar fumando, sem a fumaça.
- Serviços antitabagistas de instituições hospitalares: Acompanhamento por médicos, psicoterapeutas, nutricionistas e sociólogos: na maioria das vezes, utilizam como tratamento a associação do antidepressivo com adesivos de nicotina. O método necessita de repetidas visitas ao ambulatório para acompanhamento, duas a três vezes por semana, durante alguns meses.
- Adesivos de nicotina e Antidepressivos (Zyban, Pamelor, Aventil), ver pergunta #07 e #08 da página inicial.
- Ponto cirúrgico - Técnica introduzida no Brasil e aplicada exclusivamente por F. Marat durante 29 anos. Ao invés de repetitivas aplicações de agulhas durante algumas semanas, um único pequeno ponto cirúrgico permanece por um mês em uma das orelhas.
- Método auricular - Instituto Marat: Diferente da acupuntura, sem contra-indicações ou efeitos colaterais. O efeito é imediato. Este método vem substituindo o ponto na orelha por não ser invasivo e mais confortável para o fumante. Inibe a necessidade fisica do organismo em relação a nicotina, reduzindo significativamente as reações da síndrome de abstinência.
- Injeção antifumo ou injeção Cubana: Associação de injeções, com adesivos e comprimidos (soma de tranqüilizantes, neuroléptico, antipsicótico, anti-espasmódico, estimulante cardíaco e respiratório) durante algumas semanas. Na realidade, trata-se simplesmente de controlar as reações da síndrome de abstinência com o uso de um coquetel de potentes medicamentos.
- Snus: Tabaco sem fumaça: Tabaco moído, úmido, colocado entre a gengiva e a bochecha.
Ele é tão viciante como o cigarro (O Estado de São Paulo de 07 de outubro de 2007). Somente evita a inalação do alcatrão contido na fumaça do cigarro. Tem os mesmos inconvenientes do que o cigarro na esfera circulatória e na causa da dependência. Além de deixar os dentes escuros.
- Imãs - ZeroSmoke: Trata-se de um par de pequenos imãs autoaplicados a esmo na parte superior do pavilhão auricular, um de cada lado, permanecendo por alguns dias, algumas horas. Novidade de eficácia duvidosa, plagiando seu funcionamento na auriculoterapia (especialidade da acupuntura).
- Antidepressivo ("vacina") Champix - Chantix - NicVax, para tirar o prazer de fumar. A perda momentânea da vontade de fumar, entre outras, é um dos inúmeros efeitos colaterais destes antidepressivos, durante o tempo de uso.
O termo vacina refere-se, em geral, a uma medida preventiva para se precaver de algo ruim ou prejudicial. Vacina não trata, não cura. Vacina é algo preventivo!
No caso dos jovens que ainda não estão fumando, a vacina pode ser entendida como algo para prevenir o vício, eliminando a sensação de prazer que o ato de fumar poderia provocar (se é que seu efeito é mesmo este). Hoje, os antidepressivos e "novos" remédios para parar de fumar tentam, na realidade, fazer o mesmo.
No caso de um fumante ativo, o prazer de fumar representa somente uma pequena parcela na causa da manutenção deste vício. Uma vez que as causas primeiras do tabagismo, além da dependência física adquirida pelos anos fumando, fazem parte de uma problemática bem maior, que se encontra na esfera emocional, ambiental, comportamental, familiar, profissional, social, cultural, além do próprio hábito mecânico e seus rituais. Portanto em nosso ponto de vista, após mais de três décadas tratando de fumantes, podemos seguramente afirmar que nem a vacina, nem os remédios podem ser eficaz neste contexto.
As pesquisas são muito embrionárias. Não se sabe ainda de forma certa se a vacina será injetável ou como para os remédios contra o prazer, comprimidos em dose única, diariamente e até mesmo durante quanto tempo deverão ser tomados antes (para quem não fuma ainda), durante (para quem está fumando) e depois (para quem eventualmente parou de fumar).
Afinal para quem serve estes medicamentos, para quem pensa em começar a fumar, para quem fuma ou para quem já parou e está com saudades do cigarro de vez em quando? Confundiu-se a dependência e o prazer. Tratar de um desses elementos, não resolve o outro. São esferas diferentes.
Mas, sem dúvida, a criatividade dos laboratórios para criar novidades "científicas" para os fumantes, que sonham em abandonar o cigarro sem dificuldade, através de algo milagroso que os faça deixar de fumar mesmo contra sua vontade, se transformará, para muitos, depois do adesivo e dos antidepressivos, em mais outro dispendioso sonho frustrado.
Nem a vacina, nem os remédios, farão com que a maioria das pessoas que fumam há muito tempo, esqueçam da companhia do cigarro, com a qual têm muitas vezes, paradoxalmente, mais tempo de convivência e facilidade na sua disponibilidade, do que com seu próprio cônjuge ou familiares. Por outro lado, a acupuntura, que existe há milhares de anos e a terapia auricular desenvolvida por F. Marat tem se mostrado bastante eficaz no combate ao tabagismo, de forma econômica e sem efeitos colaterais. Seu mecanismo de ação, ainda não totalmente explicado pela medicina ocidental, provavelmente inclui processos biomoleculares altamente específicos para receptores nicotínicos, que ainda não conseguiram ser totalmente desvendados pelos laboratórios farmacêuticos da modernidade.
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V. 310810
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