O que é a injeção anti-fumo, ou injeção Cubana?
Injeção anti-fumo (sem nome comercial), ou injeção cubana (por ter sido trazida ao Brasil por um cubano radicado nos Estados Unidos, Dr. Menendez).
Não se conhece, com exatidão, a composição desta injeção, cujas aplicações (em número de três) devem ser associadas a comprimidos e adesivos durante 15 dias. É possível que substâncias como nicotina, teofilina ou outros alcalóides estejam também sendo utilizadas, não se descartando uma grande possibilidade de interações entre essas substanciais e, principalmente, com outras medicações que possam ou não estar sendo usadas pelo fumante, para tratamento de outras doenças associadas, comuns em fumantes crônicos.
O fato de omitir as informações sobre o conteúdo e a posologia das medicações, tanto para aos fumantes, quanto para os médicos e autoridades sanitárias, impede os mesmos de tomar as devidas providências, ou mesmo, de prevenir seus pacientes dos riscos inerentes a esta "droga milagrosa". Além disso, não são conhecidos trabalhos científicos ou experimentos em animais ou humanos, que demonstrem a eficácia deste tipo de mistura de drogas, no tratamento anti-fumo.
O local de aplicação da injeção, atrás da orelha, também não encontra nenhuma explicação científica, uma vez que a droga injetada no subcutâneo acaba atingindo a corrente sanguínea, como em qualquer outro local de aplicação. Isto fortalece a impressão de oportunismo, numa tentativa talvez de imitar os métodos de Auriculoterapia e Técnica Auricular, com comprovada eficácia no tratamento anti-tabagismo, que utilizam pontos ou áreas específicos do pavilhão auricular.
Já se comenta, no entanto, sobre alguns dos produtos existentes nesta mistura de drogas injetáveis, embora suas quantidades não são informadas: atropina, escopolamina e clorpromazina. São substâncias fortes que agem no sistema nervoso central (como psicotrópicos e antidepressivos) ou outros órgãos, podendo "alterar a função mental, o sistema respiratório e provocar hipotermia", segundo O Dr. Murilo Freitas Dias, chefe da unidade de farmacovigilância da Agência Nacional de Vigilância Sanitária - Anvisa (ver matéria publicada no O Estado de São Paulo, pág. A28, de 03 de setembro de 2005).
Entre os efeitos principais das substâncias citadas acima, podemos salientar: a) clorpromazina (Amplictil) - ultra-tranqüilizante, neuroléptico e antipsicótico; b)escopolamina (Buscopan) - anti-espasmódico; c) atropina - anti-espasmódico, estimulante cardíaco e respiratório.
Os possíveis efeitos colaterais desta mistura de drogas podem variar desde muito sono, fadiga, cansaço, letargia, até alucinações e suas conseqüências podem ser incomensuráveis. Alguns a consideram como "uma ilusão perigosa", como o Dr. Raimundo Marques de Nascimento Neto, da Sociedade Brasileira de Cardiologia, que contraindica a injeção; outros admitem até um "possível efeito placebo", como o pneumologista Sérgio Ricardo Santos, da Universidade Federal de São Paulo. Na realidade, trata-se simplesmente de controlar as reações da síndrome de abstinência com o uso de um coquetel de potentes medicamentos.
A novidade e o alto preço destas aplicações, pode provocar no fumante a impressão de que o tratamento é realmente eficaz e quase milagroso, principalmente para o fumante desesperado e necessitado de largar o cigarro a qualquer custo.
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